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Início » Sono do bebé: as recomendações da especialista Carolina Pinto
A convidada deste episódio é Carolina Pinto, CEO e co-founder da consultora de sono infantil “A Mãe Adormecida”. É formada, certificada e acreditada pelo OCN Level 6 em Holistic Sleep Coaching, e conta com várias especializações na área do sono do bebé.
Neste último episódio do podcast Dr.Online, a especialista em sono infantil fala com o Pedro e a Melissa sobre as suas preocupações em relação ao sono do seu bebé Tomás. Qual a melhor hora para deitar o bebé? Como lidar com as regressões do sono? O co-sleeping faz sentido? O que fazer com os ecrãs? Vale a pena treinar o sono? Deixar o bebé a chorar… sim ou não? Saiba a resposta para estas questões, e muito mais sobre o sono dos bebés.
Neste episódio, abordou-se as chamadas regressões de sono no bebé, ou seja, as fases em que o bebé começa a dormir menos horas seguidas, e que duram algumas semanas. Carolina Pinto explica ao casal que, no início, os bebés dormem muitas horas, pois o ciclo de sono nesta fase é muito simples, sendo composto apenas pelo sono profundo e o sono REM, a última fase do ciclo de sono. Por volta dos 4 meses, o bebé evolui para uma maturação do ciclo de sono, o que significa que o seu ciclo de sono passa a ter fases novas. Esta evolução causa alguma agitação no bebé, pois assim que ele entra numa fase nova do sono, até então desconhecida, encontra alguma dificuldade em lidar com esta.
Carolina faz uma analogia com a passagem de um carro automático para um carro manual. O condutor apenas conhece dois pedais – travagem e aceleramento -, e quando muda para um carro com três pedais e mudanças, encontra alguma dificuldade em adaptar-se a um sistema mais complexo e que exige mais manobras. Da mesma forma, o bebé demora algum tempo a adaptar-se a um ciclo de sono que constitui mais fases, e naturalmente, acorda mais frequentemente (fazendo ciclos de sono mais curtos). A estas mudanças no sono infantil costuma chamar-se de regressão de sono, e a primeira ocorre, normalmente, entre os 3 meses e meio e os 4 meses e meio.
“No fundo, é uma evolução porque o ciclo de sono vai ficar igual ao de um adulto. A única coisa que difere é a duração de cada fase, mas o bebé tem dificuldade em lidar com essa evolução.”
A hora da bruxa é um período do dia em que o bebé expressa um acumular de cansaço. Dá-se nos primeiros meses do bebé: entre as 19h e 21h, pode sentir cólicas e chora intensamente. Há quem opte por fazer a amamentação perto dessa hora, ou até fazer o chamado cluster feeding que significa dar de mamar durante um tempo mais prolongado.
Para Carolina Pinto, a razão principal deste cansaço acumulado sentido pelo bebé é o atraso nas sestas. A especialista explica que deitar o bebé mais tarde que o habitual, na primeira sesta, impacta o resto do dia, pois irá provavelmente adormecer mais tarde nas sestas seguintes. Isso fá-lo sentir-se mais cansado no início da noite, a dita hora da bruxa. Para evitar que isto aconteça, é importante ter atenção aos sinais de sono do bebé, e deitá-lo antes que se sinta exausto.
Existe a crença de que deixar o bebé sozinho a chorar é benéfico. Existe um método que consiste em ir prolongando, de dia para dia, o tempo em que o bebé fica a chorar sozinho, sem a resposta dos pais.
Para Carolina, este não é de todo um método aconselhável. Resulta pelo fato que o bebé deixa de chorar, mas de uma forma errada. Ao deixá-lo chorar sozinho, vai fazer com que ele desista de pedir ajuda, desista de chorar, o que descansa os pais momentaneamente. Mas na verdade, quando o bebé percebe que o choro dele não é atendido, isto pode criar codependência, que é manifestada numa fase mais tardia da vida. Por outro lado, se as necessidades do bebé forem atendidas, isto ajudá-lo-á no desenvolvimento da sua independência como ser humano.
“Criarmos um bebé dependente vai fazer com que ele se desenvolva depois, nas fases de criança e de adolescente, mais independente.”
Co-sleeping é um termo que tem sido muito badalado e que se refere à prática de deixar o bebé dormir no quarto dos pais.
Quanto aos benefícios ou desvantagens, Carolina Pinto afirma que depende sempre da situação, especialmente se o sono dos pais está a ser afetado. Alguns pais que praticam co-sleeping sentem todos os movimentos e sons do bebé, e consequentemente, não conseguem atingir um sono profundo, afetando o seu repouso e energia. É importante perceber que o sono dos pais também é vital, e que também deve ser motivo de preocupação e cuidado, não apenas o do bebé.
Por outro lado, há mães que têm de ir hora a hora ao quarto do bebé para amamentá-lo, e que por isso beneficiam muito mais do co-sleeping, evitando tantas deslocações durante a noite.
Ultimamente, tem-se verificado um aumento na utilização de Melamil – melatonina em suplemento – nos bebés, mesmo sem aconselhamento médico. Carolina Pinto justifica como este suplemento pode ser prejudicial para os bebés, fazendo com que a produção natural desta hormona no bebé fique “mais preguiçosa”.
“Ainda não há ensaios suficientes que demonstrem o efeito do Melamil a longo prazo.”
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