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Início » O Segredo para Melhorar a Sua Saúde Mental
A Dra. Gabriela Andrade é médica psiquiatra em ambiente hospitalar, e também realiza videoconsultas no Dr. Online. Para a Dra. Gabriela, uma das coisas que faz mais sentido no seu trabalho é desconstruir algumas crenças e ideias relacionadas com a saúde mental que desincentivam as pessoas a procurar ajuda psiquiátrica ou psicológica quando mais precisam. Mesmo sendo verdade que, hoje em dia, existe uma maior sensibilização sobre saúde mental, ainda existe algum estigma que deve ser combatido.
O Dr. Online conversou com a Dra. Gabriela Andrade sobre mitos e crenças acerca das condições de saúde mental e das consultas de psiquiatria.
Na visão da Dra. Gabriela, o estigma na saúde mental contém várias camadas, não se encontra apenas na relação connosco próprios quando nos encontramos com um diagnóstico de doença mental, também passa pela forma como percepcionamos como as outras pessoas olham para nós. Ficamos com a sensação que “nos olham não como a pessoa com a doença mental, mas como a pessoa que é a doença, e isso, por vezes, é muito difícil de descaracterizar ou desconstruir.”
Estas percepções podem levar a um adiamento na procura de tratamento, trazendo consequências muito mais adversas e complicadas. “As doenças da psiquiatria ainda estão numa caixinha que é muito difícil de aceder, e as pessoas facilmente recuam quando se diz que existe alguma doença mental”. A psiquiatra explica que o facto de se ter ansiedade ou ter depressão não significa falta de discernimento ou juízo.
Também existe o mito de que a depressão é derivada da falta de força da pessoa em questão. A psiquiatra esclarece que a depressão, e outras perturbações mentais, tiram a capacidade de fazer mais do que aquilo que naquele momento é possível fazer, o que não quer dizer que a pessoa não tenha motivação e pró-atividade para fazer certas atividades no seu estado habitual (ou seja, fora do período em que se encontra com a depressão). Também clarifica que “não escolhemos ficar doentes, assim como não se escolhe ter outro tipo de doença como a diabetes ou tensão alta, as pessoas simplesmente têm maior ou menor risco ou maior ou menor predisposição. Portanto eu não escolho ter uma depressão, não escolho ter um problema de ansiedade, não escolho ter Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção”. Estas condições são multifatoriais, ou seja, não existe um grande culpado pelo aparecimento de uma perturbação mental. A ciência mostra que existem vários fatores para alguém experienciar sintomas de doença mental num certo momento da sua vida.
Para a psiquiatra Gabriela Antunes, podemos ajudar alguém que esteja a passar por uma depressão não desvalorizando as suas queixas, tentar compreender e mostrar a nossa a nossa disponibilidade para ajudar. “Olha eu sei que está a ser um momento muito difícil para ti, podes até nem perceber porquê mas eu só quero que saibas que estou aqui, e que se for preciso vou ajudar-te quando for possível”. Desta forma, também pode motivar a pessoa a procurar ajuda profissional. Há momentos em que as doenças mentais causam um sofrimento tão grande levando a pessoa a sentir-se muito sozinha e desesperançada, acreditando que que nada vai funcionar. Nesta fase, ainda é mais difícil para a pessoa procurar ajuda profissional, pelo que o apoio dos mais próximos é essencial.
Quando queremos ajudar alguém que esteja a experienciar uma depressão, não precisamos de ser especialistas na matéria, às vezes basta mostrar a nossa disponibilidade para ajudar, e essencialmente ser um(a) bom ouvinte.
Ainda há falsas crenças que se perpetuam e deixam as pessoas reticentes em procurar ajuda psiquiátrica quando é necessário. Primeiro, existem ideias erradas sobre a doença mental. Segundo, sobre o que é o impacto real da doença. E terceiro, sobre aquilo que pode ser o tratamento oferecido, e se este pode ser modificador da personalidade.
Os receios mais comuns são a possibilidade da dependência na medicação, e o de perder o controlo sobre si próprio. Mas se as pessoas têm receio de ficar “zombies”, ou deixar de funcionar nas suas tarefas quotidianas devido à medicação, o papel dos psiquiatras é precisamente promover a restituição da funcionalidade que a própria doença causou. De facto, a medicação pode ajudar bastante a pessoa a voltar ao seu padrão habitual prévio à doença ter ocorrido.
Também é importante falar abertamente com o paciente sobre os seus receios em relação à medicação e possíveis efeitos secundários. “Porque a aliança terapêutica também vai ser aquilo que me vai permitir garantir que a pessoa faça ou não faça o tratamento que eu estou a recomendar. Sabemos que em todas as doenças, por algum motivo nem sempre as pessoas cumprem medicação à risca e os motivos podem ser vários e legítimos”
Outro mito bastante perpetuado: os psiquiatras receitam apenas medicação. Neste podcast, a psiquiatra esclarece que, na verdade, também podem recomendar outro tipo de intervenções, nomeadamente “o acompanhamento psicoterapêutico, que mostra ter bastante evidência nas perturbações da ansiedade e na perturbação depressiva”.
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