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PHDA: O que é e quais os seus sintomas

 

O significado de PHDA

O significado de PHDA é Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção. A condição também é conhecida por TDAH, que significa Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade. 

A psiquiatra Gabriela Andrade falou com o Dr.Online sobre o que é a PHDA e quais os seus sintomas.

O que é a PHDA

A PHDA é uma condição do neurodesenvolvimento com a qual se nasce. Tal como explica a Dra. Gabriela Andrade, é multifactorial, e tem uma grande influência hereditária. Como indica o próprio nome (Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção), esta condição está relacionada com alterações ao nível da atenção, e com uma componente de hiperatividade, embora não sejam estas as únicas características.

“Alterações na atenção não quer dizer que se seja só distraído por natureza, não quer dizer só que tenha a cabeça na lua”, explica a psiquiatra.

Os sintomas e as manifestações da PHDA

“E como é que isto se vê?”, eis a questão que é respondida de forma detalhada no podcast Dr.Online. 

As alterações na atenção podem levar a uma dificuldade em prestar atenção a um estímulo durante algum tempo, ou por outro, geram uma atenção excessiva (hiperfoco) a algo que não deveria ser o foco naquele momento. Consequentemente, a pessoa aparenta estar desligada de tudo o que está à sua volta, mesmo quando os outros tentam interagir com ela.

É comum também o esquecimento ou perda de bens essenciais no dia a dia, como o casaco, as chaves, o telemóvel, entre outros. Há quem consiga criar mecanismos de compensação para que isto não aconteça, como deixar sempre tudo no mesmo sítio, verificar ou voltar a casa para confirmar se a porta está fechada. Crianças com PHDA, habitualmente, esquecem-se de compromissos na escola, como os trabalhos de casa ou a data de um teste. No caso dos adultos, é frequente falharem reuniões, consultas, ou compromissos com amigos.

Os comportamentos típicos da hiperatividade na criança identificam-se na sua incapacidade em estar sentada na sala de aula, não conseguir prestar atenção à matéria dita pelo(a) professor(a), estar constantemente a balançar na cadeira, ou a roer o lápis ou a conversar com o colega do lado. 

A PHDA no Adulto

“No adulto, nem sempre é vivenciado desta forma”, diferencia a psiquiatra, descrevendo os típicos comportamentos de inquietação presentes nos adultos com PHDA, como estar constantemente a mexer na caneta, deixar as mãos sempre agitadas, ter dificuldade em permanecer numa reunião, levantando-se ao fim de 5 minutos. 

“Há uma inquietação vivida mais internamente, ou seja, a pessoa está constantemente a pensar em fazer qualquer coisa, precisa de estar sempre em ação, ou a fazer muitas coisas ao mesmo tempo.”

A psiquiatra fala também de uma outra manifestação típica da PHDA no adulto: a impulsividade. A pessoa mostra-se impaciente em várias situações, por exemplo, não consegue esperar numa fila, responde a uma pergunta antes desta ser terminada, ou está constantemente a interromper os outros. 

Estes são apenas alguns exemplos (e não são únicos) que se repetem ao longo da vida. Embora sejam comportamentos muito comuns em qualquer pessoa, quando existe a presença de PHDA, estes manifestam-se de uma maneira persistente, prejudicando a rotina e certos aspetos da sua vida da pessoa em questão.

Os sintomas da PHDA no Adulto e como se chega ao diagnóstico 

Há muitas situações em que o adulto com PHDA (ainda não diagnosticado) vai ao consultório do psiquiatra porque tem um filho que foi diagnosticado com Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção, ou porque o profissional de saúde que o acompanha notou alguns sintomas, ou porque encontrou informação sobre o tema. 

“Muito comum também, diria eu, é a pessoa vir devido a um problema de ansiedade ou questões relacionadas com queixas depressivas.”

É ajudando o adulto a olhar para o seu historial que o psiquiatra consegue avaliar e identificar vários episódios na sua infância e vida adulta que são manifestações de Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção. Quando o diagnóstico é inexistente, pode haver muitos sintomas que levam à suspeição de uma depressão ou perturbação de ansiedade, quando na verdade, não é este o caso.

Não são raros os casos em que a pessoa apenas é diagnosticada na fase adulta. “Se a pessoa está num contexto que seja favorável e o sistema de educação é facilitador, se tem estratégias ou recursos cognitivos que a ajudam a apanhar muito bem a matéria das aulas, e não se prejudica nos testes”, os sintomas da PHDA acabam por não ser tão perceptíveis na infância, adiando o diagnóstico. No entanto, é muito provável que estes sintomas se manifestem de forma intensa numa fase da vida mais desafiante: “de repente, há uma saída de casa porque vai estudar para outra cidade, deixa de estar em casa dos pais, o tipo de estudos é diferente, e passa-se num ambiente onde as aulas são mais estruturadas ou há um tipo de acompanhamento que depende muito mais da própria pessoa. É nessa altura que [a presença de PHDA] pode tornar-se mais evidente e é aí que o diagnóstico pode fazer mais sentido”.

Um episódio informativo sobre saúde mental e PHDA

Além de desmistificar a Perturbação de Hiperatividade e Défice de Atenção, este episódio aborda também os temas da ansiedade, da depressão, e outros tópicos relacionados com a saúde mental. 

Veja a entrevista completa com a médica psiquiatra Gabriela Andrade no podcast Dr.Online: O Segredo para Melhorar a Sua Saúde Mental.

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